|
A Amazônia Legal, construção geopolítica
estabelecida, em 1966, para fins de planejamento regional, possui uma
extensão de 5.109.812 Km², correspondente a cerca de 60% do território
nacional, e abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso,
Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão a oeste do
meridiano 44º. Em que pese sua grande extensão territorial, o efetivo
demográfico da Região é de 21.056.532 habitantes, ou seja, 12,4% da
população nacional, o que lhe confere a menor densidade demográfica do
País – 4,14hab/km². (PROJEÇÃO 1) Historicamente,
a dinâmica demográfica da Amazônia esteve sempre condicionada aos
períodos de prosperidade e decadência por ela experimentado, que eram
acompanhados de fluxos e refluxos de população, fruto de sua frágil
base econômica de natureza extrativista. A
partir de 1970, contudo, com a implementação, na Amazônia, de um
conjunto de políticas de desenvolvimento, imprime-se uma nova
configuração ao seu processo de ocupação econômica e demográfica. Nesse
sentido, o padrão de povoamento regional, tradicionalmente fundamentado
na circulação fluvial, sofreu alterações estruturais substantivas, nas
três últimas décadas, como decorrência do processo de ocupação
econômica verificado. As rodovias atraíram o povoamento para a terra
firme e para novas áreas, abrindo grandes clareiras na floresta e, sob
o influxo da nova circulação, a Amazônia se urbanizou e se
industrializou, embora com sérios problemas sociais e ambientais. A
várzea e a terra firme, elementos históricos de organização da vida
regional, embora esmaecidos, permanecem como pano de fundo. Duas características marcantes devem ser ressaltadas em relação à ocupação do espaço regional: a) o padrão linear Na
Amazônia, a integração terrestre e fluvial do território tendeu a
formar eixos de transporte e infra-estrutura, ao longo e em torno dos
quais se concentram investimentos públicos e privados. Esses eixos
acabam definindo um macrozoneamento da Região e neles se concentram a
população, os migrantes e os núcleos urbanos, verificando-se forte
pressão sobre o meio ambiente. Tal macrozoneamento também conforma
grandes espaços entre os eixos, domínio de terras indígenas, Unidades
de Conservação e populações extrativistas e ribeirinhas isoladas; e b) o grande arco de povoamento O
adensamento de estradas no leste do Pará, Maranhão, Tocantins, Mato
Grosso e Rondônia compõem um grande arco de povoamento. Essa faixa
acompanha a borda da floresta, justamente onde se implantaram as
estradas e se situa o cerne da economia regional, à exceção da Zona
Franca de Manaus e alguns projetos minerais.
|