CARACTERÍSTICAS GERAIS DA POPULAÇÃO
No período 1970/2000, a população amazônica quase triplicou, evoluindo
de, aproximadamente, 7,3 para 21 milhões de habitantes, em decorrência
das elevadas taxas anuais de crescimento experimentadas, sempre
superior à média brasileira, mas que se mostram declinantes ao longo
das três últimas décadas - 4,38% a.a, em 1970/80, 3,30%, em 1980/91 e
2,26%, em 1991/2000. Essa tendência manifesta-se em quase todas as
Unidades Federadas, à exceção do Amapá, que registrou taxas crescentes
e elevadas de incremento populacional, que atingiu 5,71%a.a, no
interstício 1991/2000, como resultado de fluxos imigratórios em direção
ao Estado. ( PROJEÇÃO 2) A distribuição da
população entre os Estados mantém o seu perfil concentrador, embora
mais atenuado, localizando-se cerca de 70% do total de habitantes em
apenas três Estados - Pará (29,41%); Maranhão (26,84%) e Amazonas
(13,36%). Ressalta-se, todavia, que o estado do Maranhão vem declinando
a sua participação relativa, passando de 41,60%, em 1970, para 26,84%,
em 2001, o que se mostra consetâneo com a sua característica de Estado
de emigração. Em oposição, os Estados de Rondônia, Mato Grosso e Amapá,
embora ainda detenham reduzida participação no contingente populacional
total, a ampliaram de forma significativa, despontando, dessa forma,
como novas áreas de atração populacional. (PROJEÇÃO 3) Em
termos da composição da população por sexo, observa-se um certo
equilíbrio entre o número de homens e mulheres, representando o
primeiro 50,4% do total populacional e o segundo, 49,5%. (PROJEÇÃO 4) Quanto
à faixa etária, a população amazônica caracteriza-se como
essencialmente jovem, uma vez que o contingente com menos de 20 anos de
idade representa 51% do efetivo total, o que suscita a necessidade de
fortalecimento de políticas públicas sociais direcionadas a esse
segmento populacional, principalmente no que se refere à área
educacional e de formação profissional. (PROJEÇÃO 5) URBANIZAÇÃO Uma
das características mais marcantes do recente processo de ocupação
demográfica do espaço regional diz respeito à urbanização, que vem se
fazendo em ritmo intenso e acelerado, introduzindo profundas mudanças
na estrutura do povoamento regional. Entre 1970 e 2000, a população
urbana cresceu mais do que a população total, com taxas correspondentes
ao dobro da média do País, passando de 35,7% para 68,2%, muito embora a
taxa de crescimento anual da população urbana apresente tendência
declinante ao longo do período. (PROJEÇÃO 6, PROJEÇÃO 7 e MAPA 1) Em
contraposição, a população rural vem apresentando taxas de crescimento
decrescentes e negativas, registrando, no período 1991/2000, a taxa de
–1,72%, fato verificado em cinco dos nove Estados, denotando um
contínuo e progressivo processo de esvaziamento da zona rural.
(PROJEÇÃO 8) Associada
ao crescimento da população urbana, verifica-se a formação de novos
núcleos. Contudo, o traço mais importante da urbanização é a alteração
no tamanho das cidades, variável proxy da hierarquia urbana. Até 1970,
o tamanho das cidades mantinha um padrão estável de forte primazia
urbana, isto é, com crescimento contínuo concentrado nas capitais
estaduais. A partir de então, esse padrão foi rompido, com a exceção
dos estados do Amazonas, Roraima e Amapá. A
Amazônia é, assim, a única região do País onde cresce a população que
vive em cidades com menos de 100 mil habitantes, sendo expressivo o
crescimento de cidades pequenas entre 20 e 50 mil habitantes. A
Amazônia é, assim, a única região do País onde cresce a população que
vive em cidades com menos de 100 mil habitantes, sendo expressivo o
crescimento de cidades pequenas entre 20 e 50 mil habitantes. O
processo de desconcentração urbana é decorrente, sobretudo, da criação
de municípios após a Constituição de 1988, processo esse que incidiu de
forma intensa e generalizada em todos os estados da Região. Fator
importante a registrar é que as capitais, apesar de continuarem
crescendo em termos absolutos, não são mais as principais
concentradoras da população urbana, que hoje passa a viver,
crescentemente, em cidades médias e pequenas fora das grandes
aglomerações. O
ritmo de urbanização, embora acelerado até agora, tende a se reduzir
por dois motivos: primeiro, porque a multiplicação de núcleos ocorrida
na década de 90 deveu-se, em grande parte, ao intenso processo de
formação de novos municípios, que não dá sinais de continuidade; e,
segundo, devido ao arrefecimento da imigração. O
acelerado e descentralizado processo de urbanização regional não é
sinônimo de uma urbanização autônoma, revelando muito mais uma
"emancipação dependente". Com efeito, as cidades e municípios dependem
da transferência de recursos financeiros, sobretudo da União, e a
arrecadação do ICMS é incrivelmente concentrada nos municípios das
capitais estaduais. Desse modo, os municípios não correspondem a uma
força motriz em termos econômico-financeiros, mas, certamente,
constituem uma força política, na medida em que expressam o pacto entre
o poder local e as instâncias superiores da ordem federativa. MIGRAÇÃO Outro
aspecto a destacar quanto ao crescimento demográfico refere-se ao
componente migração, que teve papel relevante na conformação do atual
perfil demográfico da Região, sobretudo nos anos 70. Apesar da
indisponibilidade de dados mais recentes que permitam uma avaliação
mais precisa do movimento migratório para a Amazônia, é opinião
majoritária que a migração inter-regional se reduziu em relação às
décadas anteriores, sendo hoje dominantemente de natureza
intra-regional. É
importante sublinhar as direções dos fluxos migratórios que balizam o
povoamento atual e indicam a direção futura. O estado do Mato Grosso,
seguido do Pará, na sua porção leste, foram aqueles que mais atraíram
migrantes entre 1991 e 1996. Contudo, esse padrão tradicional foi
rompido em três pontos: - a
emergência de novas áreas de atração no extremo norte, isto é, no
Amapá, na porção que faz fronteira com o Pará e a Guiana, e em Roraima,
na fronteira com a Venezuela e no eixo da BR-174;
- delineamento
de novos corredores de povoamento. A partir de Mato Grosso, um segue a
estrada Cuiabá-Santarém (BR-153) e o outro penetra pelo estado do
Amazonas, em direção a Manaus e BR-174. No Pará, a imigração para a
calha do Amazonas tende a ligar-se ao norte, com a forte migração para
o Amapá; e
- a grande redução da imigração para Rondônia que,
revertendo sua condição de receptor, hoje pode ser considerado como um
estado de emigração, principalmente em favor de Roraima.
Embora
com ritmo reduzido e de caráter sobretudo intra-regional, a migração
continua a ser fator espontâneo e induzido de ocupação pioneira do
território e de abertura de matas, delineando novos corredores de
povoamento que unem o sul da Amazônia a Roraima e Amapá, onde se
reproduz o ciclo do uso da terra, característico da Região nas últimas
décadas. O binômio
mobilidade da população e urbanização é um dos mais dolorosos aspectos
do processo de ocupação regional, uma vez que as cidades não tiveram
condições de recursos e de tempo para absorver os migrantes. Resulta,
assim, que a Amazônia é uma floresta urbanizada, representando, porém,
os núcleos urbanos um de seus maiores problemas ambientais.
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