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Destacam-se três tipos de vegetação na Amazônia
Legal : Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial),
disjunções da Campinarana (Campinas) e uma disjunção da Savana Estépica
(campo do alto do rio Surumu) com intensa ação antrópica. O estudo
da vegetação da Amazônia, bem como de qualquer outra região brasileira,
passa, necessariamente, pela consideração de um evento que marcou
profundamente o levantamento dos recursos naturais do País, provocando
grandes alterações nos seus quadros físico e ceconômico-social. Em
1969, a National Aeronautics and Space Administration - NASA, em
convênio com o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais - INPE,
realizou uma demonstração de aerolevantamento com emprego do sensor
radar de visada lageral, numa área de 5.000 Km2 , no Quadrilátero
Ferrífero de Minas Gerais. Com base nos resultados desta
demonstração o Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM propôs
o aerolevantamento de uma área de 40.000 Km2 , em caráter experimental,
na região do Tapajós, porquanto constatou-se que só através desse
método utilizando-se o radar do tipo SLAR (Side Looking Airborne
Radar), de visada lateral, seria possível a obtenção a curto prazo, das
informações básicas necessárias ao conhecimento dos recursos naturais
da Amazônia, onde prevalecem condições atmosféricas adversas durante
grande parte do ano. Criada em 29-10-70, a Comissão de Levantamento
Radargramétrico da Amazônia - CRDAM - destinou-se à execução do
projeto, alterando a sua área para 1.500.000 Km2 , abrangendo grande
parte da Amazônia e partes das Regiões Nordeste e Centro-Oeste. Em decorrência do êxito alcançado pelo Projeto RADAM - Radar na Amazônia, a área programada foi sucessiva. Dessa
forma, empreendeu-se, com pioneirismo, a maior operação
técnico-científica conjunta para fins de levantamento de recursos
naturais de área contínua do globo - O Brasil. No que se refere ao
estudo de vegetação, particularmente da Amazônia, uma grande
diversificação de regiões florísticas foi revelada; em conseqüência,
limites foram retificados, novos "tipos de vegetação" foram
identificados e tiveram que ser revistos os conceitos das florestas
formadoras da Hilaea (Hiléia) de Humboldt e Bonpland. A vegetação da
Amazônia está inteiramente situada dentro da zona Neotropical.
Apresenta seu sistema ecológico médio em torno de 25o C e pelas chuvas
torrenciais bem distribuídas através do ano, sem déficit hídrico mensal
no balanço ombrotérmico anual. São exceção as áreas planálticas
elevadas que têm a sua temperatura amenizada plea altitude e, em
conseqüência, têm a sua umidade aumentada, bem como as áreas menos
úmidas à "sombra" das serras. Nessa condições, desenvolveu-se e
propagou-se uma vegetação com as mais variadas formas de vida, ora
providas de proteção contra a seca, ora sem essa proteção, entre todas
dominando as fanerófitas. Essas fanerófitas indicam a linha
filogenética da flora das Angiospermas que evoluiu a partir dos
refúgios equatoriais localizadados nos Cratons Guianês, Guaporée
Gurupi. A ampliação dos espaços criados nas bacias hidrográficas que
existiam nesses cratons permitiu a comunicação dessas floras,
posteriormente (do Plioceno ao Pleistoceno) enriquecidas com as
contribuições oriundas dos Andes. Diz Rizzini: "Foi nesse ambiente
em movimentação constante que as grandes florestas (e campos recentes)
se constituíram com inigualáveis possibilidades quanto à gênese de
formas novas". Principalmente uma "grande quantidade de novas famílias
de vegetais neotropicais, como por exemplo : as Cactáceas e as
Bromeliáceas" , como afirmam Veloso et Góes-Filho. Em
resumo, com a contribuição de plantas paleotropicais e pantropicais,
formaram-se os endemismos a nível de espécies, gêneros e famílias e
assim se constituíram os domínios florísticos e as regiões da Zona
Neotropical. Muito se tem discutido sobre a idade provável da
"Floresta Amazônica". Atualmente, muitos autores, como Tricart (1977),
avaliam em cerca de 15.000 anos a idade desta floresta. Wijmistra &
Hammen empregando o processo do carbono radiotivo (C14) realizaram, em
1966, estudos palinológicos na baica do rio Tacutu, afluente do rio
Branco, mais precisamente no lago Moriru situado na "Savana de
Rupununi" (Guiana) próximo à fronteira com o Brasil, e verificaram o
seguinte : Houve, nestes últimos 14 mil anos, pequenas flutuações climáticas que afetaram a estrutura da Savana. Estas flutuações de mais seco para mais úmido e vice-versa têm prováveis ligações com as variações da glaciação andina. O atual período mais seco, que dura há mais ou menos 3 mil anos, está se tronando ligeiramente mais úmido na atualidade . O
referido trabalho possibilita também outras interpretações capazes de
esclarecer alguns pontos, até então hipotéticos, sobre a origem da
Savana local. A flora original da Savana pouco variou nestes últimos 14 mil anos. As
variações estruturais por que passou a Savana têm estreitas relações
com as variações do nível de água no solo, o que indica quantidade
diferentes de água precipitada. Na Savana existem plantas autóctones
que aí vivem pelo menos há 14.000 anos, como por exemplo : a Curatella
americana e espécies dos gêneros Byrsonima, Ourtea e Roupala. Na
Savana existem gêneros que são encontrados na Floresta, como por
exemplo : Didymopanax, Alchornia, Vismia e outros que provavelmente
ocuparam a Savana por ocasião da primeira flutuação climática para mais
úmido, há cerca de 10.000 anos atrás. A floresta-de-galeria de
palmeiras é antiga (mais ou menos 14.000 anos), porém algumas plantas
que atualmente compõem este tipo de floresta começaram a aparecer há
cerca de 10.000 anos, como, por exemplo, o gênero Virola. Prosseguindo
na hipótese de que a Floresta Amazônica é relativamente nova,
verificou-se que as espécies Himathantus reticulata e antonia ovata
atualmente encontradas na Savana do Rio Branco são prováveis ecotipos
florestais que aí se instalaram coincidentemente com o atual período
mais úmido pr que estão passando as áreas savanícolas do Hemisfério
Norete, situadas a leste de Rupununi. Concluíu-se
que a vegetação arbórea da Amazônia instalou-se a partir de refúgios,
ocupando a bacia primeiramente com estrutura savanícola que, pelas
variações da glaciação andina , sofreram profundas variações .
Posteriormente, de acordo com as flutuações climáticas de seco para
úmido, ecótipos florestais se expandiram e ocuparam a maior parte da
bacia, deixando áreas relíquias em meio à grande floresta hileiana. Obs.
: Artigo Extraido da Publicação : Projeto zoneamento das
potencialidades dos recursos naturais da Amazônia Legal (IBGE/SUDAM). Área de Cobertura Florestal Área de Cobertura Florestal* Nativa Remanescente, por Estado - 1990/1991Estados | Área Remanescente (ha) |
|---|
| Acre | 15.258.141 | | Amapá | 11.008.532 | | Amazonas | 128.629.010 | | Pará | 95.289.400 | | Rondônia | 17.791.812 | | Roraima | 15.740.841 | | Tocantins | 1.199.788 | | Total | 284.917.524 |
Fonte: "Diagnóstico e Avaliação do Setor Florestal Brasileiro", FUNATURA/ITTO, versão preliminar. *
Refere-se apenas a Florestas Densas, Florestas Abertas e Contato
Floresta/Cerrado. Outros tipos de cobertura vegetal remanescente não
incluídos. Área de Cobertura Florestal* Nativa Remanescente Potencialmente Produtiva** por Estado - 1990/1991Estados | Área Remanescente (ha) |
|---|
| Acre | 12.576.153 | | Amapá | 10.851.332 | | Amazonas | 103.728.448 | | Pará | 93.755.600 | | Rondônia | 16.533.293 | | Roraima | 7.426.235 | | Tocantins | 1.199.788 | | Total | 246.070.849 |
Fonte: "Diagnóstico e Avaliação do Setor Florestal Brasileiro", FUNATURA/ITTO, versão preliminar. *
Refere-se apenas a Florestas Densas, Florestas Abertas e Contato
Floresta/Cerrado. Outros tipos de cobertura vegetal remanescente,
portanto não incluídos. ** Exclui as áreas legalmente protegidas (unidade de conservação e reservas indígenas).
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